Salvem O Museu dos Coches Petição

Salvem O Museu dos Coches Petição
Petição: Salvem os Museus Nacionais dos Coches e de Arqueologia e o Monumento da Cordoaria Nacional!

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

António Costa aprova novo Museu dos Coches, apesar de o considerar desnecessário

António Costa aprova novo Museu dos Coches, apesar de o considerar desnecessário -PUBLICO - 23.12.2008, Ana Henriques

Silo automóvel previsto para a frente ribeirinha como parte do projecto do museu foi chumbado ontem pela Câmara de Lisboa

A Câmara de Lisboa deu ontem o seu aval à construção do novo Museu dos Coches em Belém. A proposta de aprovação partiu da maioria socialista de António Costa, que, no entanto, confessou achar desnecessária a transferência do museu para um edifício construído de raiz para o efeito decidida pelo Governo.

"Uma das razões apresentadas para a sua transferência para o novo edifício relaciona-se com o facto de, nas actuais instalações, não ser possível aumentar o número de visitantes. Mas uma vez que se trata do museu mais visitado do país, considero que não vale a pena mexer-lhe", observou, acrescentando ser prioritário arranjar espaço para novos projectos como o Museu das Descobertas ou o centro de cultura africana - uma parceria entre a câmara e o Governo, cuja instalação foi anunciada para o Palacete Pombal, nas Janelas Verdes.

Foi também o Governo a decidir que o autor do novo edifício do Museu dos Coches, previsto para defronte da estação ferroviária de Belém, seria o brasileiro Paulo Mendes da Rocha, já premiado com o maior galardão da arquitectura mundial, o Pritzker. "A contratação das obras de arquitectura deve ser feita por concurso público", objectou António Costa. "Mas há momentos e obras que podem justificar a encomenda directa a determinado arquitecto. A fiscalização destes procedimentos compete a organismos como o Tribunal de Contas.

"Mas nem todo o projecto de Paulo Mendes da Rocha teve luz verde da autarquia. O silo automóvel de 23 metros de altura que o arquitecto brasileiro queria erguer já do lado do rio, ligado ao edifício do museu por uma passagem aérea por cima da linha do comboio, foi chumbado ontem pelo executivo municipal. Motivo: os técnicos camarários entenderam tratar-se de um "obstáculo entre o espaço público e o rio Tejo", algo que é proibido pelo Plano Director Municipal. Tratava-se de uma construção cilíndrica com capacidade para 400 carros e um salão panorâmico no topo. "Uma aberração", adjectivou o vereador Carmona Rodrigues. "E uma violentação da frente ribeirinha", acrescentou ainda.

Sendo uma obra do Estado, a lei estabelece que o parecer da autarquia não é vinculativo. Acontece que foi feito um "acordo de cavalheiros" entre o município e a Sociedade Frente Tejo, de capitais exclusivamente estatais, em que esta se comprometeu "a ter em consideração os pareceres camarários", explicou o vereador do Urbanismo, Manuel Salgado. Ficou ainda estabelecido que a amarração da passagem aérea às imediações do Museu da Electricidade seja precedida da realização de um projecto de espaços públicos.

Quem o fará? Manuel Salgado ignora-o: "Não sei se os honorários pagos a Paulo Mendes da Rocha chegam para isso." Até porque o arquitecto vai ter de reformular o projecto para o adaptar às exigências camarária. Quanto a alternativas de estacionamento - "não se está a ver famílias inteiras irem para a beira-rio de autocarro", observa o vereador -, estão a ser procuradas na Calçada da Ajuda.

O PSD considerou ontem que o Tribunal de Contas "desmontou todos os argumentos" do presidente da câmara ao rejeitar o recurso contra o chumbo do empréstimo que a câmara queria contrair. Carlos Carreiras, líder da distrital de Lisboa do PSD, disse que a recusa do empréstimo "destrói a argumentação de António Costa" e significa "um ano perdido" no que respeita ao saneamento financeiro da autarquia". Costa disse, por seu lado, que os argumentos do TC nada têm a ver com os do PSD.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Mugabe: "O Zimbabwe pertence-me"

Foto em Publico. PT

O Presidente do Zimbabwe, Robert Mugabe, desafiou hoje os múltiplos apelos à sua demissão, face à crise humanitária no país, afirmando peremptoriamente que o Zimbabwe lhe pertence.

"Jamais, eu nunca irei vender o meu país. Jamais, jamais, nunca me renderei, jamais", afirmou Mugabe, de 84 anos e há 28 no poder. " O Zimbabwe pertence-me", disse.

“Vocês não me conseguirão intimidar”, disse, deixando um recado à comunidade internacional, que reclama o seu abandono.

“Podem ameaçar decapitar-me, mas ninguém me fará mover: o Zimbabwe pertence-nos, não pertence aos britânicos”, disse o Presidente do país que foi, durante várias décadas, uma colónia britânica.

Diante do congresso do seu partido, a União Nacional Africana do Zimbabwe – Frente Patriótica (Zanu-PF), na pequena localidade de Bindura, o mais velho chefe de Estado de África manifestava-se assim contra o antigo Império britânico e contra todos os que o querem ver afastado do poder.

O Presidente Mugabe e o seu rival, Morgan Tsvangirai – líder do Movimento para a Mudança Democrática – concluíram um acordo no passado dia 15 de Setembro, a fim de partilharem o poder e fazerem o país sair da crise nascida da derrota da Zanu-PF nas legislativas de Março, mas as duas formações partidárias nunca se chegaram a entender acerca da divisão dos principais ministérios.

Enquanto isto, milhares de zimbabweanos morrem, graças ao relaxe da comunidade internacional, talvez por o país não ser um produtor de petróleo. Por muito menos, equipas de guerrilha ou de tropas regulares, houvesse para isso interesses económicos por detrás, e o ex "Sir" Robert Mugabe (já que foi destituído pela rainha de Cavaleiro do Império), estaria fora do poder a bem ou a mal.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Agora que Santana se prepara de novo ...

Agora que Santana Lopes se prepara para de novo brindar a capital com a sua candidatura à Câmara, lembrei-me desta preciosidade então publicada pelo Expresso e que aqui recordo.

Em 2003, a Dom Quixote publicou a edição de bolso do romance «Dom Casmurro», de Joaquim Maria Machado de Assis.

Para a estupefacção do editor, algum tempo depois, este recebeu um cartão oficial da Câmara Municipal de Lisboa, assinado pelo seu então presidente, Pedro Santana Lopes, agradecendo o envio de um exemplar do livro. Até aqui, tudo normal. A perplexidade deveu-se ao facto de o cartão pedir ao editor que transmitisse ao autor o apreço do autarca – e de o envelope ser dirigido ao «Exmo. Sr. Machado de Assis, aos cuidados das Publicações Dom Quixote».
Mais uma vez tudo normal, nao fosse o caso do escritor brasileiro ter morrido no dia 29 de Setembro de 1908.

Consta que na origem da gafe estava uma secretária do presidente da Câmara, e que este, ao contrário do que os homens públicos costumam fazer em tais casos, não só não transformou a subordinada em bode expiatório como até a promoveu, o que talvez configure uma magnanimidade nobre mas algo desmedida.

Francamente...É de ir ás lágrimas.

Amigo Pedro. Se para lá voltar poupe-nos por favor ás louras burras que passaram à história sob o nome de santanetes.

Por: Jorge Santos Silva

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Avizinha-se batalha jurídica para decidir construção de grande prédio no Largo do Rato

In Público (21/11/2008) Ana Henriques
«Promotor imobiliário ameaça ir para tribunal fazer valer o que considera serem os seus direitosDepois de debatida com intensidade na Câmara de Lisboa, na Ordem dos Arquitectos e nos movimentos cívicos, a construção de um grande prédio de habitação no Largo do Rato deverá ser decidida nos tribunais. É pelo menos essa a vontade do promotor imobiliário Artepura, que não se conforma com a recusa da autarquia em passar a licença que lhe permitiria começar a obra. Um dos administradores da empresa, Diogo Jardim, invoca a aprovação do projecto de arquitectura pela câmara em 2005 para exigir erguer no Rato, entre a Rua Alexandre Herculano e a Rua do Salitre, o edifício de sete andares desenhado pelos arquitectos Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus, que deu origem a um abaixo-assinado de contestação que já reuniu cinco mil assinaturas.
Dada a polémica e a recusa dos vereadores em emitir a licença, não seria altura de reformular o projecto? "Nunca!", responde Diogo Jardim, que considera que a mudança de posição da câmara é "uma afronta a todo o sector da promoção imobiliária"."Se a câmara põe em causa o que ela própria aprovou isto transforma-se numa república das bananas", observa. "Acho complicado outra saída que não a ida para tribunal." E uma indemnização está fora de causa? "Não pomos nenhuma hipótese de lado, mas o nosso objectivo é construir o edifício", diz o administrador, recordando que o próprio vereador do Urbanismo, o arquitecto Manuel Salgado, afiança que o projecto cumpre todos os regulamentos.
Mas o mesmo não pensam as restantes forças políticas, que no passado dia 12 recusaram, pela segunda vez, a emissão da licença. "É provável que venham a responder pessoalmente por esse acto em tribunal", avisa Diogo Jardim. Vários deles muniram-se, no entanto, de cautelas. Foi o caso dos vereadores do PSD, que juntaram à sua decisão uma declaração de voto defendendo que a aprovação do projecto em 2005 é nula, por violar disposições legais. O núcleo de estudos de património da CML, por exemplo, pronunciou-se contra a construção, por entender que ela contrariava normas de protecção patrimonial. »

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Derrocada da Muralha do “Castelinho” de Angra do Heroísmo

Não se sabe quem vai recuperar a muralha do Castelinho.

A presidente da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, Andreia Cardoso (PS), apela ao entendimento rápido entre a Empresa Nacional de Turismo (Enatur) e o Ministério da Defesa com vista à recuperação célere do troço de muralha do Forte de São Sebastião (vulgarmente conhecido como “Castelinho”) que ruiu no passado domingo.

Tipicamente, nenhuma destas entidades assumiu publicamente a responsabilidade de recuperar a parte da muralha que derrocou.

Andreia Cardoso, argumenta que a importância histórica e patrimonial do imóvel não se compadece com delongas.
Na foto: Imagem da derrocada da muralha do forte de S. Sebastião

“Aquela área tem de ser reparada com segurança e rapidez. Essa responsabilidade só pode ser da Enatur ou do Ministério da Defesa. Ambos têm de se entender. Da parte da autarquia, posso garantir a total disponibilidade para, dentro das nossas possibilidades e competências, ajudar-nos no processo”, afirmou a autarca.

Andreia Cardoso explica que, tratando-se de uma propriedade do Estado, a Câmara de Angra não pode fazer “muito mais do que ajudar nos licenciamentos que venham a ser necessários”.

“Em Novembro de 2001, participamos no protocolo que permitiu à Enatur instalar uma Pousa da de Portugal no Castelinho. Mas, nesse âmbito, o nosso papel era apenas assegurar o alojamento dos militares da Marinha que estavam no forte até que as moradias a construir pela secretaria regional da Economia estivessem concluídas. Esse foi o âmbito da participação da autarquia nesse acordo”, explica Andreia Cardoso.

A autarca adiantou ainda que, há dois meses, a autarquia procedeu, por sua iniciativa, a um levantamento dos imóveis do Estado no concelho, tendo enviado esses documentos para o Governo Regional, a quem pediu que diligenciasse junto de Lisboa para um alerta pela degradação de algumas destas infra-estruturas, “caso da Boa Nova e do edifício da Alfândega”.

Mas ao que parece, desse relatório não constavam a situação deste forte do séc. XVI, integrada na zona histórica da cidade de Angra do Heroísmo, classificada como Património da Humanidade pela UNESCO e, cuja parte significativa da muralha acaba de ruir.

O que foi feito? Nada e o resultado imediato foram 500 anos de história irem parar ao mar.

È na realidade uma vergonha o estado lamentável a que as autoridades, neste eterno jogo do empurra, descartam as suas responsabilidades.

Mas a história julgar-vos-á por isso!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

De novo os contentores de Alcântara

Lembram-se desta situação? Porto de Lisboa 1975.
Os Lisboetas viam a sua frente ribeirinha completamente entupida por contentores de familiares e amigos que retornavam à metrópole contra a sua vontade, graças a uma classe politica surgida à pressa, que descolonizou sem a alma necessária nestes momentos e sem acautelar o interesse dos milhares que lá viviam.
Durante anos vimos contentores com os bens de quem teve de deixar a terra que já viviam como sua, nunca reclamando estes haveres, sobras de uma vida, fazendo pressentir naturalmente o pior dos desfechos.
O local é o mesmo; o contexto é outro. Vamos ter de novo a frente ribeirinha atulhada de contentores, desta vez sem a grave crise humanitária de então, mas na mesma, graças à idiotice dos que nos governam.

sábado, 15 de novembro de 2008

Bairro Alto. Já começámos a despedir pessoas

Foto: CD artistas vários em "edição para os que viveram as noites loucas do Bairro Alto dos anos 80."


Duas semanas após a entrada em vigor do diploma camarário que encerrou a actividade nocturna ás 2 horas da manhã, publico aqui parte do texto que a Destak publicou sobre a matéria.

"Este tem sido um ano difícil para o emblemático espaço nocturno lisboeta. A Lei do Tabaco obrigou a gastos, que aumentaram com o pagamento de um reforço de segurança, por parte dos comerciantes. Agora, muitos dos bares fecham duas horas mais cedo.

Sexta-feira dia 7 de Novembro, um grupo de frequentadores indignados decidiu protestar, distribuindo apitos às 2h. Sábado foi convocada uma manifestação.

O Destak foi para a rua saber qual o balanço da primeira semana para comerciantes e clientes.

«Perdemos à volta de 50% dos lucros», contou Alfredo Macedo, empregado do bar Palpita-me, explicando que como a clientela só chega pela 1h15 resta muito pouco tempo para o negócio. «Abrimos às 19h, e como vê, ainda não está cá ninguém», diz apontando para o bar vazio no início da noite. Os despedimentos são «inevitáveis»: «Aqui no bar já vão três pessoas embora».
O mesmo dizem Carlos, Ana e Bruno, de bares da Rua da Barroca que preferem não identificar por medo de represálias. «Isto é um lobby da Junta de Freguesia; a maioria dos moradores dá-se bem com os bares e até querem que estejam aqui por motivos de segurança», explicam. O corte nos lucros, dizem, vai tirar emprego a muitas pessoas, «ao ponto de pôr em causa a existência de grande parte dos bares». Para estes comerciantes, o desemprego irá afectar não só os bares, mas os restaurantes e as mercearias, num efeito de cadeia: «Aqui toda a gente vive dos negócios uns dos outros». Pedem para regressar ao tema da segurança: «A partir de agora isto começa a ficar deserto mais cedo, mais cedo começa a haver problemas. Todos sabem que no Bairro Alto há tráfico de muita coisa. Se os bares fecharem mais cedo, o tráfico continua a existir e pode criar-se um guetozinho. Os traficantes passam a vir para aqui como vinham para o casal ventoso».

Os três colegas fazem questão de salientar que não estão só preocupados em fazer dinheiro. Admitem que seja necessário um entendimento. Consideram que a solução poderia passar pela proibição de venda de bebidas na rua. «Se a câmara proibisse beber na rua, as pessoas teriam que entrar para os bares e aí já poderia haver uma parceria entre os bares e a câmara para tentar resolver o problema». Mas assim, «é apenas pura repressão».

Opiniões dividem-se. Pela 1h da manhã, um grupo de amigos na casa dos vinte conversa animadamente de copo na mão. «Acho bem, é uma questão de respeito pelas pessoas que vivem aqui. Têm que adaptar a cidade, mudar as zonas de bares para os arredores», opina Marina. «Não! Não há nada como o Bairro», contrapõe Tristão. (...)

Copo vai, copo vem, surgem algumas propostas politicamente incorrectas: «Deviam criar alojamento noutro sítio para as pessoas que moram aqui», diz Ruben entre gargalhadas. A sugestão era uma brincadeira, mas outra surge um pouco mais séria: «E porque não vidros duplos nas janelas e pronto?»"

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Câmara discute novamente projecto polémico no Largo do Rato

O licenciamento do prédio vai ser debatido em reunião pela segunda vez A Câmara de Lisboa tem agendada para amanhã a discussão da proposta subscrita pelo vereador com o pelouro do Urbanismo a qual sustenta o licenciamento do polémico projecto dos arquitectos Manuel Aires Mateus/Frederico Valsassina para o gaveto da Rua do Salitre com a Alexandre Herculano.
Esta é a segunda vez que o assunto vai à câmara, depois de a primeira proposta naquele sentido ter sido inviabilizada em Julho pelo executivo municipal com 11 votos contra e seis a favor.
Helena Roseta disse ao DN que "se os termos da proposta se mantiverem iguais também a natureza do meu voto se manterá". Ou seja, contra. E se houver alterações à proposta? "Teremos que as analisar e só depois nos pronunciaremos", salientou a vereadora do movimento Cidadãos Por Lisboa.
O DN soube, entretanto, junto de fontes municipais, que o vereador Manuel Salgado deverá levar para a votação junto com a proposta um parecer dos serviços jurídicos do município que defendem a viabilização do empreendimento. Os juristas da câmara dizem que quem votar contra terá que fundamentar legalmente o seu voto. Recorde-se que o PSD anunciou a intenção de apresentar uma proposta de criação de um jardim, como alternativa ao projecto urbanístico para o Largo do Rato. Margarida Saavedra, arquitecta e vereadora social-democrata, disse ao DN que "a criação de uma zona verde ajardinada naquele local (ideia que já vem do mandato de Jorge Sampaio) seria uma boa solução porque contribuiria para a reabilitação e valorização do Largo Rato e do seu conjunto composto por edifícios notáveis como o Palácio Palmela (Procuradoria-Geral da República), a Sinagoga, ou mesmo o Palácio dos Marqueses da Praia (sede do PS)".
Margarida Saavedra, sublinha que o PSD não tem razões para viabilizar agora esta proposta. "O senhor vereador Manuel Salgado traz um parecer dos serviços jurídicos da autarquia que não é mais do que uma encomenda desta maioria para que a sua posição prevaleça", afirma Margarida Saavedra, lembrando que António Costa insiste no argumento de que o projecto de arquitectura foi aprovado e que os projectos de especialidades cumprem a legislação. Mas não é isso que está em causa. Em jogo está o enquadramento daquele projecto", continua. Para a eleita do PSD, "o parecer dos serviços quer empurrar o ónus de um chumbo para a oposição, ora é preciso saber ao certo de há direitos adquiridos do promotor ou não. Achamos que só há expectativas". Ruben de Carvalho do PCP reiterou a sua oposição ao projecto, mas aguarda pela análise das alterações à proposta.

domingo, 9 de novembro de 2008

ORÇAMENTO PARTICIPATIVO - 2ª fase: VOTE!

Foto: Terreiro do Paço, inicio do século. Arquivo CML

Dia 8 de Novembro: início da 2ª fase do processo do Orçamento Participativo (OP) em Lisboa. As mais de 600 propostas apresentadas na 1ª fase já foram analisadas pela CML.
Solicitamos agora, até ao dia 14 de Novembro, que consultem as propostas seleccionadas, e votem nas três que gostariam de ver inscritas no Plano de Actividades da CML para o ano de 2009.

Para tal, basta aceder ao sítio do OP - www.cm-lisboa.pt/op - com a sua palavra-chave. Para votar é necessário proceder previamente ao registo. Trata-se de uma operação que demora apenas 1 minuto. Se já se registou na 1ª fase, não necessita de voltar a fazê-lo. Até ao dia 14 de Novembro, será possível o registo no sítio do OP e concretizar a votação on-line.

Os projectos mais votados nesta 2ª fase serão integrados no orçamento municipal até ao valor de 5 milhões de euros, montante definido pela Câmara para afectar ao orçamento participativo. Para poder votar, seleccione a área ou as áreas que pretende e vote nos projectos que lhe são apresentados. Pode votar num máximo de três projectos, por ordem de prioridade (de 1 a 3, sendo 1 o mais importante), desde que a soma dos projectos não exceda o valor máximo de 5 milhões de euros.

Há cerca de 80 projectos para escolher.

Alguns exemplos:

-Arborização do Terreiro do Paço
-Arborização de Arruamentos em Arroios
-Arborização de Arruamentos do Bairro Campo de Ourique
-Reabilitação do Espaço Público do Bairro Azul e Plantação de Árvores
-Requalificação de Espaço Verde, Instalação de Parque Infantil e Horta Comunitária na Quinta do Coleginho
-Requalificação do Largo do Rato
-Requalificação do Largo da Graça
-Requalificação do Largo Hintze Ribeiro
-Requalificação da Envolvente à Basilica da Estrela
-Retirar Estacionamento Automóvel dos Espaços Singulares, Praças e Largos

Participe e reencaminhe esta informação para todos os possíveis interessados neste processo.

sábado, 8 de novembro de 2008

HIV virá aí a possivel cura?

Seropositivo deixou de o ser depois de transplante de medula

Notícia de IOL Diário - 08-11-2008

Um norte-americano de 42 anos que vive em Berlim está a intrigar a comunidade científica. Há dois anos foi submetido a um transplante de medula. Era seropositivo, mas o objectivo seria curar uma leucemia. Seiscentos dias depois, ainda continua a lutar contra esta doença, mas venceu a batalha que parecia perdida: a sida.

De acordo com o The Wall Street Journal, que conta história deste paciente cujo nome não é divulgado, depois da operação, os médicos não detectaram sinais da infecção no seu sangue, apesar de terem cessado de lhe administrar fármacos anti-retrovirais na altura da intervenção cirúrgica e nunca mais terem tido necessidade de o fazer.

O jornal norte-americano explica que quando foi decidido que o paciente teria de ser transplantado, o seu médico, o doutor Gero Hütter, da Charité Medical University de Berlín, lembrou-se de fazer uma experiência. Entre os possíveis dadores escolheu um que apresentava uma rara mutação genética, que o torna imune a quase todas as estirpes de HIV, e que só está presente em 1,5 por cento da população.

Na altura do transplante os médicos suspenderam a administração dos medicamentos que o paciente tomava por ser seropositivo, para que o transplante não fosse rejeitado. Mas a surpresa surgiu nas análises sanguíneas do norte-americano, onde não foram encontrados vestígios da infecção.

Seiscentos dias depois, o corpo do paciente continua sem dar sinais de HIV, apesar de ainda estar a recuperar da leucemia.

(...), os cientistas pensam que este caso possa oferecer algumas pistas na investigação de terapias genéticas na luta contra a sida. E quem sabe, se um dia, uma cura, que para este norte-americano parece ter já chegado.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Largo do Rato - Lá vem o monstro outra vez


Texto publicado por Paulo Ferrero in Cidadania Lisboa

E lá vem o Monstro do Rato outra vez:
E, agora, das duas, uma:1. Se a proposta for a mesma que foi chumbada há tempos, com o mesmo projecto, ipsis verbis, isso é ilegal e motivo de impeachment.2. Se a proposta apresentar alguma diferença microscópica (semelhante ao que foi feito com o Palácio dos Coculim, em Alfama), é porque algum dos vereadores que ajudaram ao chumbo virou casacas, do dia para a noite.Seja como for, é o mais triste espectáculo a que Lisboa tem assistido ao longo dos últimos anos, no que começou por ser uma aprovação grosseira ao tempo da dupla inenarrável Santana Lopes/Eduarda Napoleão, para depois passar à atitude hipócrita e cobarde da actual vereação.Vamos ver no que isto dá...

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Do que se passa é de um parecer dos serviços jurídicos da CML argumentando que os senhores vereadores que votaram 'não' não fundamentaram bem o seu voto. Ou seja, no reino do caricato, é preciso fundamentar de forma blindada, juridicamente falando, a reprovação de um projecto mas uma eventual aprovação, essa pode ser de cruz. Espantoso!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Atenção aos serviços Parceiro Activo das operadoras de telemóveis

Acontece por vezes, que sem dar conta recebe umas mensagens no seu telemóvel para responder a uma qualquer questão e, com um custo de aproximadamente 2€ por mensagem, habilita-se a um qualquer prémio. O problema está no facto de não necessitar de responder a mensagem nenhuma para ser debitado. Automaticamente será debitado por 2 ou três mensagens de valor igual ou superior a 2€ em alguns casos e noutros na totalidade do seu saldo do telemóvel.
Até chegar aqui o mais certo é ter colocado o seu número de telemóvel em algum site de confiança que, através do facto de ser “parceiro activo” da operadora com o número 4747, faz com que esta assuma que deu a concordância para aquele débito. Porém, o facto é que isto não é mais do que smam (lixo electrónico), devendo ser participado de imediato às operadoras.
Em alguns casos, para a Vodafone é suficiente enviar uma mensagem com a palavra “SAIR” para o 3345, sendo que nas restantes operadoras se recomenda o contacto com as mesmas para solucionar mais este caso de esperteza saloia.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Frente Ribeirinha. Espectáulo lamentável hoje na CML - Sousa Tavares escoltado pela polícia

Foto de 'On the Waterfront' (1954), de Elia Kazan


"Espectáculo lamentável o que decorreu há pouco na CML, e não me refiro ao que decorreu dentro da sala, previsível (a convocação, extra-agenda, do responsável da APL para 'explicar' o projecto para a frente rio, como resposta, de quem tem sido mudo e quedo ao tema, à evidente e genuína popularidade da petição lançada contra a ampliação dos contentores em Alcântara" (ver ao lado) "e pela revogação do decreto-lei que permite a prorrogação do prazo de exploração daquele terminal até às calenda, só poderia dar em nada), mas à manifestação ilegal (suponho que não havia autorização do Governo Civil) e ao enxovalho e às tentativas de agressão com que estivadores, arregimentados por alguém, 'brindaram' Miguel Sousa Tavares quando se preparava para entrar na sala onde ocorria a sessão pública, pela entrada da Rua do Arsenal (entrada oficial para o público, diga-se!), por apenas ser um cidadão com 'C'.

Estamos num país de bananas? Serão os Paços do Concelho uma 'reprise' do Bolhão ou de Matosinhos que enxovalhou Sousa Franco? Ninguém pediu identificação aos manifestantes? Como é isto possível? É isto o debate público? A democracia? Ninguém pede explicações a ninguém? Voltámos ao cerco da AR, mas com actores diferentes? Saberão os manifestantes o que está verdadeiramente em causa? Quem manietou quem? Seria isto possível em alguma outra capital da Europa Ocidental?
Que vergonha de país!"

por Paulo Ferrero

Cidadania LX


Quanto a mim acrescento que esta CML faz lembrar em tudo, até pelo desgoverno a que nos está a habituar, o PREC no seu melhor, com laivos de Nero no papel de António Costa, a tocar lira enquanto Roma arde.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Viva o Bairro Alto - Petição contra o encerramento do bares ás 2 da manhã

Foto de: arrastao.weblog.com.pt

Texto da Petição denominada Viva o Bairro Alto

“Ao Sr. Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,

Somos frequentadores, moradores e comerciantes do Bairro Alto, e estamos visivelmente satisfeitos com as decisões tomadas por V.Exa. relativas à limpeza das ruas deste bairro típico da cidade e à promoção da segurança nessas mesmas ruas.

Contudo, de forma alguma podemos concordar com a limitação do horário de funcionamento dos bares até às 2 horas da manhã.

O Bairro Alto, principalmente desde a chegada do Metropolitano à estação da Baixa-Chiado, tem-se tornado o espaço nocturno por excelência de Lisboa. Não só devido a esse facto, mas porque muitos e muitos cidadãos preferem aquelas ruas, aquele espaço, toda uma envolvência que o torna o espaço ideal da cidade para estar à vontade com os amigos, um espaço de alegria e diversão como nenhum outro, decididamente insubstituível.

É, para além disso, a zona de diversão nocturna mais procurada pelos estrangeiros que visitam Lisboa, onde podem jantar numa zona tão típica e também divertir-se. Um encerramento dos bares às 2 horas vai proceder a um corte abrupto na tão animada vida nocturna do Bairro Alto.

Os frequentadores dos bares, na sua grande maioria, não estão interessados em dirigir-se a qualquer discoteca, dentro ou fora do Bairro. A muitos não lhes agrada qualquer outra zona da cidade para sair à noite. Aliás, a grande maioria das outras zonas de diversão nocturna, ou mesmo todas, estão ocupadas por espaços de filosofia totalmente diferente.

Não é também por acaso que moradores e comerciantes não concordam com tal medida. Os moradores sabem que muito do seu ganha-pão provém da actividade hoteleira ali exercida. E que a consequência prática da imposição desse horário de encerramento será inevitavelmente a perda brutal de receitas, transferidas para outras zonas da cidade ou mesmo para os hipermercados, pois se calhar muita gente passará a optar por festas em casa...

Por outro lado, essa medida é totalmente contraditória com o recente estabelecimento, através do Governo e da Carris, do serviço shuttle a ligar o Bairro Alto a Belém entre as 22.00 e as 5.00, bem como com o reforço da Rede da Madrugada nas noites de fim-de-semana e vésperas de feriado para intervalos de 30 minutos, medidas essas que representam um substancial incentivo ao uso do transporte público e à não utilização de automóvel para saídas nocturnas, e que como tal são sem dúvida merecedoras dos maiores elogios.

Não podemos deixar de ter em conta que o Bairro Alto é a zona de diversão nocturna mais bem situada da cidade em termos de transportes públicos, não só pela estação de metro Baixa-Chiado e pelos autocarros, designadamente o 202, como também por se encontrar muito próximo dos Restauradores, Rossio e Cais do Sodré. E não será certamente por acaso que a Carris escolheu o Cais do Sodré para terminal da grande maioria das carreiras da Rede da Madrugada.

Por fim, queremos alertar para os problemas de segurança que podem vir a verificar-se por consequência do novo horário. Não só uma saída em massa de pessoas à mesma hora de uma mesma zona pode causar problemas a vários níveis, designadamente por a possibilidade de ocorrência de rixas aumentar substancialmente (o que não acontece com o horário actual, atentas as características da zona, que leva a que as pessoas vão saindo aos poucos), como a diminuição do número de pessoas presentes pode levar a que certas áreas se tornem apenas frequentadas por indivíduos cuja presença em quase exclusivo se torne intimidadora para a generalidade dos cidadãos, facto que prejudicará em última análise e acima de tudo os comerciantes.

Por isso, Sr. Presidente, apelamos a que o horário de abertura dos bares no Bairro Alto se mantenha até às 4 horas, sendo que tal horário, como é certamente do seu conhecimento, apenas se efectiva aos fins-de-semana, pois durante a semana os bares fecham não depois das 2 horas.

Viva o Bairro Alto! “

A isto remataria a titulo pessoal com o exemplo do que aconteceu na Ilha de Tavira em que Macário Correia, depois do encerramento dos bares mais cedo, se viu a braços com o inicio da prática do botellón (prática de compra de bebida em supermercados e consumo posterior na rua) com consequências imprevisíveis ao nível da criminalidade, devido ao fecho dos locais.

Para assinar: http://www.petitiononline.com/bairalto/petition.html

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Carta aberta ao Presidente da Câmara de Lisboa


Exmo. Dr. António Costa

O Sr. Dr. António Costa, depois de o ter feito em plena reunião de CML aquando da votação de mais um episódio da novela do 'Mono do Rato', que suscitou uma petição lançada por este blogue com vista a impedir a construção de um edifício de volumetria desproporcionada em pleno Largo do Rato, voltou ontem a misturar alhos com bugalhos, desta vez no programa da TSF/SIC.
Queira sobre este assunto manifestar algum respeito, mais não seja intelectual, pelos autores da petição, nos quais me incluo, petição essa que em parte alguma menciona a destruição do chafariz de Carlos Mardel no Largo do Rato.
Ou V. Exa. não faz a mais pálida ideia do conteúdo do texto da dita (o que não creio), ou os seus argumentos apresentam-se imbuídos de extrema má fé e calúnia.
O método é o de sempre: lançar a suspeita e a maledicência para desvalorizar um acto de cidadania. Politiquice pura e da barata, vergonhosa vinda de quem vem.
Utilize argumentação construtiva, útil para o esclarecimento do cidadão e de caminho faça-nos um favor. Respeite a opinião de quem não partilha da sua.
Cumprimentos,

Jorge Santos Silva
PS: Segue cópia para redacção da TSF

terça-feira, 30 de setembro de 2008

O caso Lisboagate (?)

O Expresso desta semana destaca que o problema da atribuição de casas na CML não começa nem acaba com Santana Lopes. Tem uma dimensão monstruosa. Abrange um universo de mais de 3200 fogos, com rendas médias de 35 €, num processo que dura há mais de 30 anos.

Segundo o Expresso, “não há, nem nunca houve, regulamento para a concessão das referidas casas. Qualquer pessoa pode oferecer-se para arrendar as casas e existem formulários internos na CML para preenchimento de propostas de funcionários. O critério para a escolha dos inquilinos fica entregue ao poder discricionário do vereador da habitação.”Ou seja, as referidas habitações têm sido atribuídas a pessoas com maiores necessidades, mas também (como em todo o lado quando não existem critérios) a dirigentes
e funcionários da câmara, jornalistas, artistas, amigos …

Eis apenas alguns exemplos de beneficiários presentes e passados do referido esquema: Ana Sara Brito, actual vereadora do PS; um actual director de um departamento camarário; um membro da equipa de Marcos Perestrello (actual n.º 2 da CML); o motorista de Santana Lopes, a secretária de Amália Rodrigues, o escritor Baptista Bastos. Estes são apenas alguns exemplos que já vieram a público. Para agravar a situação, a discricionariedade na atribuição de casas da CML era um modelo conhecido por toda a gente. Os pedidos para atribuição no referido regime (a famílias carenciadas, é certo) já tiveram origem em instituições tão diversas como a Presidência da República ou a Procuradoria-geral da República, ou em personalidades como Maria Barroso, Manuela Eanes ou Margarida Sousa Uva.

Como se não bastasse, o problema existe há mais de 30 anos, desde Aquilino Ribeiro Machado, primeiro presidente da CML em democracia. Subsistiu até hoje passando pelos mandatos de Cruz Abecassis, Jorge Sampaio, João Soares, Santana Lopes e Carmona Rodrigues. Um esquema com barbas. "Todos me pediram casas" afirma Helena Lopes da Costa, ex-vereadora da habitação de Santana Lopes e actualmente arguida neste processo. Trata-se de uma situação que já havia sido denunciada por Maria José Nogueira Pinto que lhe sucedeu no pelouro ao afirmar ao Público de 21 de Setembro de 2008 e cito: A oferta municipal de habitação em Lisboa “está viciada”, disse ao PÚBLICO Maria José Nogueira Pinto. A ex-vereadora confirmou que detectou casos anómalos, que remeteu, para decisão, para o então presidente Carmona Rodrigues. Recordou que tentou levar a câmara a aprovar um pacote de critérios rigorosos para a atribuição do chamado património disperso. Segundo ela, este não devia ser distribuído a pedido, mas sim funcionar como “uma bolsa afecta a políticas públicas da habitação”. “Mas foi tudo por água abaixo”, desabafou.

Em torno deste caso que surgiu esta semana, ouve-se um silêncio ensurdecedor por parte dos diversos partidos. Estranho, não é? Porque será? Ah pois é... PS, PSD, PCP e CDS passaram pelo Executivo camarário nos últimos 30 anos. O Lisboagate é algo que não convém a ninguém.Agora é Sá Fernandes a afirmar que “nem pensar em Ana Sara Brito vereadora do PS no actual executivo camarário e beneficiaria de idêntico tratamento se demitir, justificando que "foi uma coisa entre a vereadora e o engenheiro Abecassis, com um contrato de arrendamento, com critérios da altura". Que cordeirinho que nós estamos amigo Zé.

É obvio que o facto da vereadora se encontrar em funções leva a que todo o executivo da câmara, o directamente eleito e/ou posteriormente coligado, opte por considerar tais situações como naturalíssimas (?), caso que se fosse efectuado por uma qualquer oposição, o que seria...


Isto já não se trata de uma "lisboagate" nem se quer é Gate nenhuma. É um hábito que se institucionalizou: o de passar a perna, fazer de nós parvos. Daí meus senhores que, como diria o Eça "Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo".
Por:
Jorge Santos Silva

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Salvem o Largo do Rato - Entrega da Petição à Assembleia da República

Foi entregue por nós, na Assembleia da República, a petição que decorre na internet denominada "Salvem o Largo do Rato".

Foi um passo muito importante este, o de sermos recebidos pelo chefe de gabinete de Sua Excelência o Sr. Presidente da Assembleia da República que, mostrando a sua solidariedade para com a causa por nós abraçada, também referiu o seu contentamento pela acção civica assim demonstrada.Partindo de um puro acto de cidadania, conforme por nós referido na altura a Sua Ex.cia e independente de quaisquer intenções politicas, partidárias ou económicas, esta forma de protesto contra a descaracterização de uma das mais emblemáticas zonas de Lisboa, é comungada por quase cinco mil cidadãos que assinaram já a petição.

Em nosso entender e na sequência da conversa ali tida, o que melhor se adequa ao espaço em causa é um jardim, projecto já pensado na altura em que Jorge Sampaio era detentor da gestão do município da capital. A esta solução, poderia ser acrescentada, para ser debatida em conjunto, a ideia da cedência aos promotores, de um espaço camarário, nomeadamente o do mercado do Rato,na R. Alexandre Herculano, que contivesse em si próprio, capacidade construtiva, mas que não comprometesse aquela zona da cidade, desfigurando-a definitivamente.

Conjuntamente com a petição foi também entregue uma carta, solicitando á Assembleia da República que legisle, no sentido de prever a figura do crime urbanistíco e que introduza também legislação específica, no sentido da preservação e protecção da traça arquitectónica, bem como a manutenção do equilíbrio urbanístico das zonas consolidadas das cidades portuguesas, a começar pela sua capital.

Luís Marques da Silva

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O aumento da criminalidade

De acordo com o Publico o número de imigrantes diminuiu pela primeira vez em Portugal em 5 anos, segundo dados de 2007 fornecidos pelos Serviços de Estrangeiro e Fronteiras.
Esta tendência é sentida sobretudo devido à falta de empregos disponíveis.

Depois de se ter sentido como nunca a entrada de imigrantes, Portugal foi na última década refugio para todo o tipo de pessoas. Os que contribuíram para a economia do país e, hoje por cá estão perfeitamente integrados, tantas vezes já com famílias constituídas e os que, ou por quebra de oferta de trabalho tantas vezes precário devido à sua situação irregular, ou por marginalidade antecedente, são lançados para as malhas do crime.

O certo é que o crime violento não pára de aumentar, com recurso cada vez mais a técnicas de malvadez pouco habituais entre nós. O tiro à queima-roupa sem pestanejar para roubar uma carteira já não é estranho por cá.

È curioso ver agora o Ministro da Administração Interna sobre tudo isto culpar outros órgãos de soberania pela sua própria inabilidade politica. Não que não a tenha tecnicamente. O senhor ao que sei não caiu lá por acaso. Algum mérito terá. Ou anda mal secundado e lhe escondem informações ou algo de errado se passa naquele gabinete do Terreiro do Paço para que nada se faça com acerto.

Seria interessante e não vejo nisso qualquer xenofobia, vir a publico o número de cidadãos estrangeiros que nos últimos anos atentaram contra o património e a segurança deste pacato canto que não sabia a não ser dos filmes o que era esta violência diária.

Do resultado obvio dessa informação volta-se a questionar o que andam a fazer os nossos políticos, únicos responsáveis pela actual situação, que não fazem barrar junto do Serviços de Estrangeiro e Fronteiras aqueles que não demonstrem condições de trabalho nos países de origem para evitar os falsos vistos de turista, ou cartas de trabalho devidamente apreciadas antes da entrada de tudo o que de pior há. Seguramente que a criminalidade, principalmente a violenta diminuía.
Jorge Santos Silva

Selecção Foto - Coração, como se fosse um fruto - Ana Franco


quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Morreu Irena Sendler, a heroína polaca que salvou 2500 crianças do Gueto de Varsóvia

Aos 98 anos de idade morreu Irena Sendler, a heroína polaca que salvou 2500 crianças do Gueto de Varsóvia, de serem encaminhadas para campos de concentração nazi, informou a sua família.
Sendler foi considerada como uma das grandes heroínas da resistência polaca ao regime nazi, tendo estado nomeada para o Prémio Nobel da Paz.

A filha de Irena Sendler, Janina Zgrzembska, anunciou hoje que a sua mãe morreu num hospital de Varsóvia.

Sendler organizou a saída de cerca de 2500 crianças do Gueto de Varsóvia durante a violenta ocupação alemã, na Segunda Guerra Mundial.

Sendler (que trabalhava como assistente social) e a sua equipa de 20 colaboradores salvaram as crianças entre Outubro de 1940 e Abril de 1943, quando os nazis deitaram fogo ao Gueto, matando os seus ocupantes ou mandando-os para os campos de concentração.

Durante dois anos e meio, Irena Sendler conseguiu ludibriar os nazis e fazer sair do Gueto adolescentes, crianças e bebés - muitos deles disfarçados sob a forma de pacotes - e enviá-los para o seio de famílias católicas, para orfanatos, conventos ou fábricas. Em Varsóvia viviam 400 mil dos 3,5 milhões de judeus que habitavam a Polónia. "Fui educada na ideia de que é preciso salvar qualquer pessoa, sem ter em conta a sua religião ou notoriedade", dizia Irena Sendler.

Nascida a 15 de Fevereiro de 1910, a figura de Irena Sendler permaneceu relativamente desconhecida na Polónia, à imagem de Oskar Schindler, que morreu na pobreza, mas que viria a ser imortalizado no cinema pelo realizador Steven Spielberg na película "A Lista de Schindler".

Só em Março de 2007 a polaca foi homenageada de forma solene no seu país, tendo o seu nome sido proposto para o Prémio Nobel da Paz. Em 1965, porém, o memorial israelita Yad Vashem tinha já atribuído a Sendler o título de "Justo Entre as Nações", reservado aos não-judeus que salvaram judeus.
Este Blog deixa-lhe aqui as devidas homenagens.

Seleção Foto - Magnetismo - Por Anna Cláudia Speck

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

ARTIGO DE NUNO MARKL PARA OS TRINTÕES

A juventude de hoje, na faixa que vai até aos 20 anos, está perdida.
E está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os trinta.

O grande choque, entre outros nessa conversa, foi quando lhe falei no Tom Sawyer.
'Quem?', perguntou ele. Quem?! Ele não sabe quem é o Tom Sawyer! Meu Deus... Como é que ele consegue viver com ele mesmo?
A própria música: 'Tu que andas sempre descalço, Tom Sawyer, junto ao rio a passear, Tom Sawyer, mil amigos deixarás, aqui e além...' era para ele como o hino senegalês cantado em mandarim.

Claro que depois dessa surpresa, ocorreu-me que provavelmente ele não conhece outros ícones da juventude de outrora.
O D'Artacão, esse herói canídeo, que estava apaixonado por uma caniche; Sebastien et le Soleil, combatendo os terríveis Olmecs; Galáctica, que acalentava os sonhos dos jovens, com as suas naves triangulares; O Automan, com o seu Lamborghini que dava curvas a noventa graus; O mítico Homem da Atlântida, com o Patrick Duffy e as suas membranas no meio dos dedos; A Super Mulher, heroína que nos prendia à televisão só para a ver mudar de roupa (era às voltas, lembram-se?); O Barco do Amor, que apesar de agora reposto na Sic Radical, não é a mesma coisa. Naquela altura era actual...
E para acabar a lista, a mais clássica de todas as séries, e que marcou mais gente numa só geração: O Verão Azul.
Ora bem, quem não conhece o Verão Azul merece morrer. Quem não chorou com a morte do velho Shanquete, não merece o ar que respira. Quem, meu Deus, não sabe assobiar a música do genérico, não anda cá a fazer nada.

Depois há toda uma série de situações pelas quais estes jovens não passaram, o que os torna fracos:Ele nunca subiu a uma árvore!
E pior, nunca caiu de uma. É um mole.
Ele não viveu a sua infância a sonhar que um dia ia ser duplo de cinema.
Ele não se transformava num super-herói quando brincava com os amigos.
Ele não fazia guerras de cartuchos, com os canudos que roubávamos nas obras e que depois personalizávamos.
Aliás, para ele é inconcebível que se vá a uma obra.
Ele nunca roubou chocolates no Pingo-Doce. O Bate-pé para ele é marcar o ritmo de uma canção.
Confesso, senti-me velho...

Esta juventude de hoje está a crescer à frente de um computador.
Tudo bem, por mim estão na boa, mas é que se houver uma situação de perigo real, em que tenham de fugir de algum sítio ou de alguma catástrofe, eles vão ficar à toa, à procura do comando da Playstation e a gritar pela Lara Croft.

Óbvio, nunca caíram quando eram mais novos. Nunca fizeram feridas, nunca andaram a fazer corridas de bicicleta uns contra os outros.
Hoje, se um miúdo cai, está pelo menos dois dias no hospital, a levar pontos e fazer exames a possíveis infecções, e depois está dois meses em casa a fazer tratamento a uma doença que lhe descobriram por ter caído.
Doenças com nomes tipo 'Moleculum infanticus', que não existiam antigamente.
No meu tempo, se um gajo dava um malho muitas vezes chamado de 'terno' nem via se havia sangue, e se houvesse, não era nada que um bocado de terra espalhada por cima não estancasse.

Eu hoje já nem vejo as mães virem à rua buscar os putos pelas orelhas, porque eles estavam a jogar à bola com os ténis novos.
Um gajo na altura aprendia a viver com o perigo.
Havia uma hipótese real de se entrar na droga, de se engravidar uma miúda com 14 anos, de apanharmos tétano num prego enferrujado, de se ser raptado quando se apanhava boleia para ir para a praia.
E sabíamos viver com isso. Não estamos cá? Não somos até a geração que possivelmente atinge objectivos maiores com menos idade?
E ainda nos chamavam geração 'rasca'... Nós éramos mais a geração 'à rasca', isso sim. Sempre à rasca de dinheiro, sempre à rasca para passar de ano, sempre à rasca para entrar na universidade, sempre à rasca para tirar a carta, para o pai emprestar o carro. Agora não falta nada aos putos.

Eu, para ter um mísero Spectrum 48K, tive que pedir à família toda para se juntar e para servir de presente de anos e Natal, tudo junto.
Hoje, ele é Playstation, PC, telemóvel, portátil, Gameboy, tudo.
Claro, pede-se a um chavalo de 14 anos para dar uma volta de bicicleta e ele pergunta onde é que se mete a moeda, ou quantos bytes de RAM tem aquela versão da bicicleta.

Com tanta protecção que se quis dar à juventude de hoje, só se conseguiu que 8 em cada dez putos sejam cromos.
Antes, só havia um cromo por turma. Era o totó de óculos, que levava porrada de todos, que não podia jogar à bola e que não tinha namoradas.
É certo que depois veio a ser líder de algum partido, ou gerente de alguma empresa de computadores, mas não curtiu nada.'

(Nota: ...os chocolates não eram gamados no 'Pingo Doce'... Ainda se chamava 'Pão de Açúcar'!!!)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Macário Correia e a violência na Ilha de Tavira

Por do sol na Ilha de Tavira. Foto em chlampa. blogspot.com

A Ilha de Tavira de há uns meses a esta parte tem os bares fechados a partir das 21 horas por ordem de Macário Correia, Presidente da Câmara. Claro está que, por falta de alternativa, os jovens que normalmente frequentavam os espaços de diversão e que eles próprios garantiam com a sua presença a segurança ao local, são agora obrigados à pratica do "botellón", que consiste na compra de bebidas de teor alcoólico em supermercados e cafés para depois os consumir em grupo e ao ar livre ou ainda à compra ilegal na praia. É frequente o amanhecer revelar imagens de vandalismo inaceitáveis, mas porque será que tal só passou a ser prática depois dessa peregrina ordem?

O referido autarca, solicitou ao ministro da Administração Interna legislação para impedir o consumo de bebidas alcoólicas ao ar livre a partir de determinadas horas. Culpa os jovens espanhóis uma vez que os nossos vizinhos já adoptaram uma lei similar à que o autarca gostaria de ver aplicada, o que faz no verão a Ilha de Tavira assistir a verdadeiras rumarias de praticantes do “botellón” vindos de Espanha.

Questiono se, por mero acaso e sem a concordância de ningúem, não tivesse Macário Correia dado ordem de encerramento dos bares de praia a partir das 21h (antes tinham licença até ás 2:00h), se tal situação aconteceria? Creio bem que não. Nunca tal situação aconteceu até esta data pelo que, senhor presidente, em vez de estar a solicitar leis a seu gosto que prejudicaria o comércio de terceiros, veja-se o que seria o Bairro Alto em Lisboa, onde os espaços exíguos levam toda a rapaziada a beber saudavelmente os seus “copos” no meio da rua, a ver essa liberdade tolhida por uma lei que aliás é bem a sua cara e Lisboa não se esqueceu disso.

Reflicta um pouco, reconsidere a hora de encerramento dos bares e seja jovem uma vez na vida, mesmo que fora de tempo e evitará muitos aborrecimentos por aí.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Mais um assalto violento


A verdadeira onda de criminalidade violenta que tem assolado o país nos últimos anos é verdadeiramente preocupante. Para este acostumado cantinho de brandos costumes, esta passou a ser uma realidade de que todos já nos demos conta, todos menos os nossos responsáveis políticos. O mesmo Rui Pereira que ontem na sua qualidade de ministro da Administração Interna afirmava palavras de valentia e profissionalismo brioso ás forças de segurança que resolviam através dos GOE da PSP o assalto à agencia do BES em Campolide, dizia à um ano em atrás em discurso de grande pompa, que a criminalidade violenta e grave havia diminuido 10,5% em relação ao ano anterior.

Com assaltos deliberadamente violentos, onde se mata para roubar meia dúzia de euros dos bolsos de um gasolineiro, a assaltos bancários como os que se têm assistido, de tudo se vê. Desde gangues juvenis a grupos organizados de imigrantes (ilegais espero), de tudo tem acontecido neste outrora pacato país, sob o olhar sonolento e inoperante da tutela que continua a entender que não há razões para medidas excepcionais já que de acordo com as estatísticas (sempre as estatísticas), só os assaltos por esticão aumentaram. Ou o senhor ministro não pesca nada disto (o que me parece obvio), ou está a gozar connosco (também uma forte hipótese).

As célebres estatísticas publicadas pelo Eurostat referem-se aos anos de 2004 a 2006. Pois é. Mas quantas mortes e roubos houveram em 2007 e nos primeiros meses de 2008? Estarão a gozar connosco ou seremos todos parvos? Não estará na hora de apertar as fronteiras? Ver quem tem meios de subsistência e investigar as moradas dadas para permanência onde se aglomeram dezenas de imigrantes em apartamentos exíguos? Se na visita turística que efectuei à Venezuela me foi pedido extracto bancário do país de origem e documento profissional a garantir que tinha cá trabalho e quanto auferia, porque não fazemos o mesmo e teimamos em deixar entrar tudo?

Salvo óbvias excepções está claro, qualquer dia é seguríssimo ir passar férias ao Brasil (que adoro), já que os ladrões estão cá todos.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Convento de Nª Sª da Conceição de Arroios - Hospital de Arroios


Localização: Rua Quirino da Fonseca, Praça do Chile, Avenida Almirante Reis
Freguesia: São Jorge de Arroios
Construção: Séc. XVII e XVIII
Quem hoje veja a fachada do antigo Hospital de Arroios virada à Praça do Chile, janelas escancaradas, um ar de abandono total, imagina que se está apenas à espera que caia (e se calhar não andará longe da verdade), para daí construir algum bloco de apartamentos. Não imaginará sequer que o imóvel possa ter valor patrimonial importantíssimo. Dele muitos de nós apenas guarda ou uma imagem de passagem, de fachadas austeras, ou a recordação dos momentos de espera passados no Serviço de Luta Anti Tuberculose que tantos de nós, estudantes, ali iam fazer as micros (radiografias) de apresentação obrigatória nas inscrições liceais.

Na última década, o hospital tem estado fechado e sem qualquer uso e o perigo iminente a que o convento e igreja que se avistam na rua Quirino da Fonseca - a zona mais nobre do imóvel - e que fazia parte do antigo colégio conventual da Companhia de Jesus, é preocupante. Construído em 1705, com financiamento de D. Catarina de Bragança, o convento de Arroios funcionou até 1755 como colégio de formação dos jesuítas, missionários no Oriente. Resistente ao terramoto de 1755, o convento não resistiu, porém, às ordens do Marquês de Pombal, que em 1756 expulsou os jesuítas e o mandou ocupar pelas freiras Concepcionistas Franciscanas.

Em 1890, o convento ficou devoluto e o Estado tomou conta do imóvel, que foi transformado num hospital. O antigo espaço conventual sofreu então alterações: o aumento de um piso no seu corpo principal e outros acrescentos feitos nos anos 40/50 do século XX.

Ao longo destes últimos anos, de lá desapareceram painéis de azulejos da primeira metade do século XVIII que revestiam a entrada do convento e vandalizados foram também os bancos de lioz encastrados nas paredes.

Urge pois deitar mão deste património enquanto aguarda pelo desfecho que o conduzirá a um qualquer condomínio. Com alguma sorte (mas só com isso) a parte conventual resistirá à espera.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

JN - "Gigante" do Largo do Rato sem licença


Por Ricardo Paz Barroso - Jornal de Notícias de 2008-07-30

A Câmara aprovou em 2005 um projecto de arquitectura para o centro de Lisboa, mas ontem chumbou o pedido de licenciamento. O imbróglio pode originar uma pesada indemnização. Os contestatários ao projecto clamam vitória.

"Eu não assino o cheque da indemnização", alertou ontem António Costa. O presidente da autarquia referiu-se assim às eventuais consequências que o chumbo da proposta de licenciamento de construção de um prédio de grandes dimensões no Largo do Rato - da autoria dos arquitectos Frederico Valsassina e Aires Mateus -, poderá trazer para o município, um projecto que tem sido muita contestado, correndo até uma petição "online", já com mais de 3.500 assinaturas.

Costa tentou assim travar as intenções manifestadas pela oposição camarária na reunião pública de Câmara, que culminaram na reprovação do licenciamento. Apenas o PS votou a favor, embora alguns dos seus vereadores, como Ana Sara Brito, estejam contra a construção do prédio na esquina das ruas de Alexandre Herculano e do Salitre, fronteiro ao Largo do Rato. Até António Costa admitiu não saber "que decisão tomaria sobre o projecto". Mas o autarca justificou o voto favorável dos socialistas recorrendo à doutrina de que o seu Executivo "não vai colocar em causa as decisões anteriores, a não ser por nulidade do processo".

É que o projecto de arquitectura deste prédio foi aprovado em 2005, no mandato de Santana Lopes (PSD), com despacho assinado pela então vereadora social democrata Eduarda Napoleão. Ou seja, o edifício está aprovado pela Câmara desde 2005, mas esta, três anos depois, não autoriza a sua construção, o que poderá levantar questões de direitos adquiridos do promotor da construção, a Aldiniz.

É este o "cheque" que Costa diz não querer pagar, já que uma sindicância feita por este Executivo socialista não detectou qualquer incumprimento legal que torne o processo nulo.
Desconfortável é a posição do PSD. Foi este partido que aprovou o projecto em 2005, mas ontem, através da vereadora Margarida Saavedra, o PSD mostrou-se totalmente contra "esta excrescência, um edifício desaquado e insuportável para aquela zona".

Já Helena Roseta, do Movimento Cidadãos por Lisboa, bateu-se pela anulação do despacho devido a incumprimento legal.

Quanto ao promotor da petição, Jorge Santos Silva, clama vitória e revelou ao JN que "pretende-se agora uma discussão pública sobre o projecto", sugerindo como alternativa que o projecto ocupe o espaço devoluto do Mercado do Rato, "cuja área é similar à pretendida e com a vantagem de ser um terreno camarário".

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Largo do Rato - Agradecimentos

Na impossibilidade de agradecer a todos os que nos têm cumprimentado por esta vitória aqui ficam os agradecimentos públicos, não só pelos cumprimentos, mas também pelo empenho de milhares de cidadãos.
É ainda uma meia vitória mas muito importante. A cidadania imperou e sem este movimento de protesto nada seria possivel. Obrigado assim a todos os que assinaram a petição, aos que a divulgaram incansavelmente pelos seus amigos e, muito em especial, ao Cidadania Lisboa pelo apoio.
Os agradecimentos não estariam completos se os não fizesse à comunicação social que se portou exemplarmente na cobertura desta iniciativa.Muito mais há a fazer. Setembro é já ali e a força de muitas mais assinaturas será decisiva.
Jorge Santos Silva/ Arq. Luis Marques da Silva

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Crimes Urbanisticos - Escola-Oficina nº 1



Mais uma memória da História da cidade e, pelas suas características do país, está preste a apagar-se, desta vez com a destruição da Escola Oficina nº 1, no Largo da Graça nº 58, para ceder o lugar a um alto edifício a alinhar com o do lado.
A importância da edificação, mais do que pelo seu valor arquitectónico, prende-se com o seu simbolismo e história.
Trata-se então de uma construção de 1877, levada a cabo pela Sociedade Promotora de Creches, em projecto cedido gratuitamente pelo arq. Domingos Parente e aprovado pelo então Presidente da Câmara Rosa Araújo, tendo passado por isso a designar-se de Creche de Santa Eulália, em homenagem à mãe do edil.
A este projecto esteve intimamente ligada a Maçonaria portuguesa onde deixou marcas profundas, seja pelos métodos de avaliação, experimentação ou co-educação, onde não era utilizado o sistema de tradicional de livro único, mas o que melhor se adaptasse para o trabalho do dia experiência esta que não sobreviveu ao Estado Novo.
Após um período em que funcionou noutro local, regressa ás primitivas instalações em 1906, onde virá a adquirir enorme projecção nacional e internacional em matéria de ensino, adoptando um projecto por muitos considerado avançado para o seu tempo, baseado numa escolaridade laica, gratuita e obrigatória.
Será na “nº1” que surgirá a primeira experiência associativa de estudantes com a denominada associação escolar “Solidariedade” inteiramente gerida pelos alunos.
Estes são alguns dos factos que por si só merecem um repensar da situação.
Como dizia um morador da zona em site consultado para este efeito, "o soalho range, as salas estão frias e nuas, mas ainda se sente a alegria e a algazarra dos miúdos nos tempos de escola."
É pena que se persista em apagar a memória viva, deixando para a história a função de recordar o que um dia a vontade de um homem criou e outro destruiu.

sexta-feira, 18 de julho de 2008


Triste destino o da Casa dos Bicos que, mandada erigir por Brás de Albuquerque, filho do conquistador de Ormuz e Vice-rei da Índia, Afonso de Albuquerque em 1523, apresenta ser um exemplar único da arquitectura renascentista de inspiração italiana em Lisboa.

Triste sorte acabar cedida a interesses cuja história em que se viu envolvida sempre desdenhou! José Saramago, prémio Nobel da Literatura de 1998 e agora senhor da Casa dos Bicos, numa entrevista publicada no "Diário de Notícias" defendia, que Portugal deveria tornar-se uma província de Espanha e integrar um país que passaria a chamar-se Ibéria para não ofender "os brios" dos portugueses. E mais: o escritor, que reside há anos na ilha espanhola de Lanzarote, considera que Portugal, "com dez milhões de habitantes", teria "tudo a ganhar em desenvolvimento" se houvesse uma "integração territorial, administrativa e estrutural" com Espanha. Portugal tornar-se ia assim, sugere Saramago, mais uma província de Espanha: "Já temos (já temos é expressão do autor) a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla La Mancha e tínhamos agora Portugal".

A esta afronta se a resposta à data por parte do governo português foi frouxa e tardia, Saramago foi grosseiro e mal agradecido, exibindo um livre pensamento carregado de ressentimentos. Se Saramago tivesse atacado a independência de Espanha, se acaso Espanha fosse a sua pátria, qual pensam que teria sido a resposta da sociedade espanhola e do seu governo central?

quarta-feira, 2 de julho de 2008

76 anos sobre a morte d'el-rei D. Manuel II

Hoje, dia 2 de julho passam 76 anos sobre o falecimento de S.M. el-rei D. Manuel II. Morre neste dia de 1932, por asfixia e com apenas 43 anos de idade, o tregéssimo-sexto e último Rei de Portugal, 16 anos volvidos desde a implantação da República.

No dia 2 de Agosto o cortejo funebre chegado de Inglaterra (do exilio), é recebido com honras de chefe de estado pelo governo de Salazar.

O que diziam os jornais do dia:

«Lisboa assistiu ao fineral do último monarca português.

Vai longe o tempo dos grandes enterros reais com coches doirados, com militares de grande gala, com ministros e embaixadores das nações estrangeiras e com criados de vistosas librés. Toda a grandeza e imponência dessas cerimónias acabou quando morreu a monarquia. O enterro do Sr D. Manuel de Bragança teve solenidade, teve tristeza, mas também teve um rigido protocolo que talvez lhe diminuisse a imponência»

Esta foi a parte pró-republica e que provavelmente o jornalista teve de pôr, a seguir vem a descrição, mais real.

«Pelas ruas por onde passou o funebre cortejo a multidão apinhava-se contra os muros das casas, comprimida sobre os passeios e contida pela tropa. Veio gente dos quatro cantos do País para assistir à cerimónia. Durante a manhã, a população encaminhou-se para as ruas do trajecto, os homens de gravata preta, as mulheres de vestidos negros. O ambiente não era de curiosidade. Pairava um ar de tristeza colectiva e em certas caras adivinhava-se um não sei quê de saudade acrabunhante. Nos olhos dos velhos brilharam lágrimas que não havia pressa de enxugar nem vergonha de deixar correr.
No final da cerimónia o povo foi prestar a derradeira homenagem ao seu último Rei.
Durante horas sucessivas milhares e milhares de pessoas entraram no templo, contornaram a eça e sairam ,com a mesma atitude com que entraram: tristes e silenciosos.
Houve que alargar o tempo prescrito para a saudação popular(…)»

«Agora resta a saudade, recordação próxima. Amanhã será o esquecimento que é afinal no que acaba sempre tudo».
Era desta forma emocionada que o jornalista há 76 anos atrás descrevia as exéquias de D. Manuel II, deixando transparecer nas suas palavras que, passados 16 anos desde o golpe que o havia deposto, o povo respeitava como nunca a monarquia e os seus representantes.


sábado, 5 de abril de 2008

O roubo das Joias da Coroa

Coroa e Ceptro Real de Portugal

Pregadeira em forma de laço, primeiro quartel do século XVIII. Em prata, brilhantes e esmeraldas.

O que é feito do dinheiro obtido pela indemenização paga ao Estado português pelo roubo das joias da coroa emprestadas à Holanda para uma exposição e aí roubadas? Pois é a antiga ministra até fez alguma coisa depois de perder as ditas joias que emprestou. Mandou construir um cofre forte na Ajuda que permita a sua exposição permanente e comprou aínda à leiloeira Leiria & Nascimento a tela "Deposição de Cristo no túmulo" do pintor veneziano do séc. XVIII Tiepolo. Menos mal.

Tiepolo, Veneza, Séc XVIII. "Deposição de Cristo no túmulo"

Listagem das joias desaparecidas de acordo com informação da Policia Judiciária

CASTÃO DE BENGALA - De 1750-1770. Ourives (?), marca incompleta, não identificada. Técnica: Ouro cinzelado, diamantes lapidados engastados em prata. Suporte: Ouro, prata e brilhantes. Objecto único. Dimensões: 3,9 cm largura, 9,1 cm altura, 99 gramas (total). Assinatura ilegível em baixo. Origem: França, Paris.

ANEL - Séc. XVIII, 2ª metade. Técnica: Ouro matizado, prata, brilhante talhe coxim antigo. Suporte: Ouro, prata, brilhante. Forma: redonda. Objecto único. Dimensões: 2,6 cm largura, 3,2 cm altura, 2 cm espessura, 20 gramas (total), 37,5 quilates (gema). Sem assinatura. Origem: Portugal. Brilhante com meio tom.

DOIS ALFINETES TREVO - Séc. XIX, 2ª metade. Técnica: Brilhantes encastoados em ouro e prata (encastoação aberta). Diamantes rosa. Peça em forma de trevo. Peça que faz par com a seguinte. Dimensões: 2,6 cm largura, 3,3 cm altura, 1,9 cm espessura, 19 gramas (total), 43 quilates, o par. Sem assinatura. Origem: Portugal. O brilhante inferior do lado direito tem coloração esverdeada, o que é raro. 9 diamantes com um peso total aprox. de 24,5 quilates: 1 pêro com aprox. 10,5 cts; 1 coxim com aprox. 4,9 cts; 1 coxim com aprox. 8,5 cts, 6 diamantes pequenos (talhe rosa).

GARGANTILHA - Da 2ª metade do Séc. XVIII da autoria de Ambrósio Gottlieb Pollet (?). Diamantes montados em prata e ouro em cravação aberta. Ouro serrado em triângulos transfurados. Suporte: ouro, prata, brilhantes. Objecto único. Dimensões: 40,9 cm comprimento, 1,2 cm de largura, 1,9 cm altura, 67 gramas, 150,35 quilates (gemas). Origem: Portugal.

DIAMANTE EM BRUTO - Forma irregular, incolor. Dimensões:1,9 cm largura, 3,2 cm altura, 2cm espessura, 135 quilates. Origem: Brasil.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Petição online - Largo do Rato - Crimes urbanisticos à solta em Portugal - 3.




Os nossos esforços junto da comunicação social resultam no texto que se segue, onde é feita alusão a este blogue.




Chafariz do séc XVIII ao lado do qual irá surgir o edificio.

O texto que se segue é retirado da revista 24 Horas de 8-03-2008 por Paula Freitas Ferreiro


"Salvem o Largo do Rato" é o nome de uma petição que já circula na Internet para impedir a construção de um edifício da autoria dos arquitectos Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus.
O projecto foi aprovado em 2005 pela vereadora Eduarda Napoleão, sob a égide de Pedro Santana Lopes. Mas cabe ao actual vereador da divisão de Urbanismo, Planeamento e Reabilitação da Câmara Municipal de Lisboa, Manuel Salgado, dar o "sim" final para o arranque das obras. Algo que o responsável não vai assumir sozinho...
Já são muitos os que se estão a juntar para impedir que surja um "monstro" no Largo do Rato. Para além da petição online (presente no blogue Lesma Morta de Jorge Santos Silva), o blogue Cidadania LX também já veio em defesa do local. A acusação que paira sobre o projecto é forte: "Prepara-se para descaracterizar definitivamente esta zona lisboeta e (...) obrigará à demolição de alguns imóveis, nomeadamente a centenária Associação Escolar de São Mamede. Já a sinagoga de Lisboa ficará quase tapada. O chafariz do Rato e o Palácio de Palmela, actual (cont.)



(continuação) Procuradoria-Geral da República, que se localiza mesmo ao lado da obra, perderão totalmente a sua leitura visual", pode ler-se no texto da petição. O repto lançado é claro: "Quanto à edilidade exige-se que interrompa já este despropósito, sob o risco de ficar na história da cidade como responsáveis por tal vergonha", diz o autor do apelo.
Apesar do projecto não ser de agora, a polémica estalou quando o semanário "Expresso" publicou no final do ano passado fotografias de como ficará a zona depois do edifício (de habitação e comércio) estar construído.
(...) "Este projecto é uma herança. O vereador nunca teria decidido pela aprovação do projecto sem antes o ter levado a reunião de Câmara", afirmou fonte próxima de Manuel Salgado. No entanto o vereador já tinha dado a sua opinião ao "Expresso" no tal artigo: "[o edifício] é uma provocação, tal como a Casa da Música, no Porto. Terá detractores e entusiastas, pois não é um edifício anódino. Destaca-se de toda a envolvente. Como arquitecto agrada-me.
Quem não está nada entusiasmado com a possibilidade do edifício vir a ocupar aquela zona de Lisboa é o vereador do PCP, Ruben de Carvalho. "Sou inteiramente contra por questões estéticas e urbanísticas, (...) um espigão ali metido não faz sentido nenhum (...). Espero que não passe em reunião de Câmara (...).
José Sá Fernandes é outro dos que não vêm com bons olhos o edifício. "O meu voto contra está garantido. Acho aquilo muito mau. Não se integra bem na zona, não tem em conta espaços como a Sinagoga e mesmo o Largo do Rato. Tem uma volumetria exagerada para aquele sítio. Espero que ainda se vá a tempo de voltar atrás. O que eu gostava mesmo é que os próprios promotores do projecto, voltassem atrás", afirma o vereador do Bloco de Esquerda.
Carmona Rodrigues (...) recorda-se do projecto. "Lembro-me que é algo diferente, com uma arquitectura um pouco moderna, que se impõe ali de uma forma dissonante tendo em conta o edificado à volta. Mas lembro-me também que havia mais questões a discutir como a questão da Sinagoga ou a proximidade do Metro... Vou aguardar pela proposta ( e então, na altura, irei pronunciar-me".
Fernando Negrão também está à espera de saber mais pormenores. " A única informação que tenho é a das fotografias que o "Expresso" publicou e o que posso dizer é que o impacto visual não é agradável", diz o vereador do PSD (...).
Helena Roseta não se quis pronunciar pois segundo a sua acessora, ainda não temos sequer a informação que o projecto vai a reunião de Câmara".Fotomontagem, Expresso. Composto por 7 pisos acima do solo e 5 de estacionamento, com fachadas entre os 19 e os 22 metros, 10.000 metros quadrados em gaveto.

Fotomontagem, Expresso.

Vista lateral Rua Alexandre Herculano

Salvem o Largo do Rato



Por Jorge Santos Silva



Da autoria de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus, este enorme edifício entre o Largo do Rato, Rua Alexandre Herculano e Rua do Salitre, teve agora luz verde dada pela autarquia lisboeta aos projectos de especialidade. Composto por 7 pisos acima do solo e 5 de estacionamento, com fachadas entre os 19 e os 22 metros, 10.000 metros quadrados em gaveto com apartamentos T0 e T2, trata-se de uma construção que pela volumetria rebenta totalmente com a escala do Largo. O projecto a construir prepara-se para descaracterizar definitivamente esta zona lisboeta e onde para servir tais propósitos o novo prédio obrigará à demolição de alguns imóveis, nomeadamente a centenária Associação Escolar de São Mamede. Já a Sinagoga de Lisboa ficará quase tapada. Esther Mucznik, vice-presidente da comunidade judaica, evoca o cenário um dia discutido quando Jorge Sampaio presidia à Câmara: rasgar um jardim em direcção ao Rato, de modo a abrir a Sinagoga à cidade. Um sonho que passou “Agora estamos encurralados. Mais ficaremos”...
O Chafariz do Rato, da autoria de Carlos Mardel, Sec. XVIII e o palácio Palmela, actual Procuradoria Geral da República, que se localizam mesmo ao lado da obra, perderão totalmente a sua leitura visual.

Apelo à indignação de todos. Quanto à edilidade exige-se que interrompam já este despropósito, sob o risco de ficarem na história da cidade como responsáveis por tal vergonha.

Em nota de conclusão refira-se que Diogo Vaz Guedes, proprietário dos terrenos onde se erigirá a obra e Frederico Valsassina co-autor do projecto, foram ambos membros da Comissão de Honra que levou António Costa à Câmara Municipal de Lisboa. Já estou como a mulher de César: "Para se ser sério não basta ser, é preciso parecer !"


A construção do edifício obrigará à demolição de imóveis como a centenária Associação Escolar de São Mamede (em cima) e deixará a Sinagoga de Lisboa, 1902-1904, da autoria do Prémio Valmor, o arq. Ventura Terra, totalmente emparedada.

É no passeio em 1º plano que se erguerá a construção em causa.

Em 2º plano o Chafariz do Rato, de autoria atribuída a Carlos Mardel, com a balaustrada ladeada pelos muros que sustentam o jardim da antiga Quinta dos Duques de Palmela, agora Procuradoria Geral da República que com a contrução projectada perdará totalmente a sua leitura.