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Petição: Salvem os Museus Nacionais dos Coches e de Arqueologia e o Monumento da Cordoaria Nacional!

sábado, 23 de fevereiro de 2008

A Dama de Sintra, o apagar de uma memória

Elese Hensler, Condessa d'Edla

De origem Suiça-alemã, Elise Hensler era filha de Friederich Conrad Hensler e de sua mulher, Louise Hensler, e nasceu em La Chaux-de-Fonds.
Aos doze anos, emigrou com a família para Boston, nos Estados Unidos, onde recebeu uma cuidadosa educação. Amante das Artes e das Letras, Elise terminou seus estudos em Paris. Falava fluentemente sete idiomas.

No dia 2 de Fevereiro de 1860, Elise chegou a Portugal como membro da Companhia de Ópera de Laneuville, para cantar no Teatro Nacional São João, no Porto. Actuou em seguida no S. Carlos no dia 15 de abril de 1860. Interpretava o pajem da ópera “Um Baile de Máscaras”, de Verdi. D. Fernando II, no meio da plateia, apaixonou-se pela bela cantora, então com vinte e quatro anos.

Além de cantora e actriz, Hensler era escultora, pintora, arquitecta, e floricultora.
A
10 de Junho de 1869, em Benfica, desposou, morganaticamente, D. Fernando II. Entretanto, o então rei de Portugal era o segundo filho de Fernando, Luís I.
O título de condessa foi-lhe concedido dias antes da cerimónia por
Ernesto II de Saxe-Coburgo-Gota, primo do rei.
A imprensa e a nobreza portuguesa dividiram-se na apreciação do casamento entre o rei e a ex-cantora de ópera. Talvez seja por isso que ela tenha sido quase esquecida pela
História de Portugal.

O casal gostava de se refugiar em Sintra, onde D. Fernando tinha comprado o abandonado Mosteiro da Nossa Senhora da Pena. Deve-se o actual património florestal da serra de Sintra a D. Fernando, que sempre foi apaixonado pela botânica, e à cumplicidade da condessa d'Edla. As plantações do Parque de Pena intensificaram-se por volta de 1869. Elise introduziu certas espécies arbóreas do lugar à América do Norte.

Chalet na Pena, o primeiro construido em Portugal, práticamente destruido por um incêndio em 1999. Ao cimo o Palácio da Pena. Foto Arquivo Municipal de Sintra

No meio do parque, a condessa iniciou a construção do seu Chalet, que ela mesma projectou ao estilo das casas rurais norte-americanas, destruído quase por completo em 1999 por um incêndio e que habitava alternadamente com a sua quinta no Areeiro em Lisboa (ainda existentente embora em total ruína) onde passou largas temporadas com o seu amado rei.

Ao cimo, Quinta das Ameias ou Casal Vistoso, ao Areeiro em Lisboa, hoje em ruinas. Foto Arquivo Municipal de Lisboa

Mulher culta dedicou-se com o marido ao patrocínio de vários artistas, entre eles o mestre
Columbano Bordalo Pinheiro e o pianista Viana da Mota.

Em 1885, D. Fernando morre, e no seu testamento deixou à sua segunda viúva todo os seus bens, incluindo o Castelo dos Mouros e o Palácio da Pena, ambos em Sintra. Foi D. Carlos I que, pagando uma indemnização à condessa, conseguiu recuperar os dois castelos.

Elise Hensler, depois disso, abandonou Sintra e passou a viver com sua sobrinha Alice, (só mais tarde se veio a saber ser sua filha e provavelmente de D. Fernando), em Cascais.

Faleceu em Lisboa em 1929 aos noventa e três anos e está sepultada no Cemitério dos Prazeres em jazigo próprio da autoria de Raul Lino, em forma de arca de pedra com uma Cruz reproduzida da Cruz Alta de Sintra que tanto gostava. Apresenta o simples epitáfio: «Aqui jaz Elisa Hensler, viúva de sua Majestade El-Rei D. Fernando II de Portugal, nascida em 1836 e falecida em 1929».

A condessa d’ Edla recebeu na morte o tratamento e as honras de uma figura de Estado; a rainha D. Amélia e o deposto rei D. Manuel II mandaram o visconde de Asseca como seu representante ao funeral.

Condessa d'Edla

Para a casa da Condessa d’Edla na Quinta da Bafureira onde viveu os seus últimos anos, começava o princípio do fim. A sua lenta agonia faria deste um dos mais chocantes crimes de lesa-património de que há memória em tempos recentes, mas não foi por falta de aviso que ele se consumou. Em vão: entre a inoperância das instituições e as “justificações” dadas pelo novo proprietário e promotor da urbanização dos terrenos de que ela ruíra sozinha, vários anos se passaram sem que ninguém a salvasse: reduzida a dois terços num primeiro momento, acabaria, por fim, por ficar reduzida a uma parede.

Casa da Quinta da Bafureira, última residência da Condessa d'Edla, já desaparecida

Veja o video da visita ao Chalet e parque da Condessa d'Edla aqui: http://br.youtube.com/watch?v=j3d1GqDSve8

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